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Resumos/Economia A/Poupança e investimento
Resumos · Economia APT · Secundário

Poupança e investimento

O rendimento disponível divide-se entre consumo e poupança; a poupança, canalizada pelo sistema financeiro, financia o investimento. Este tema relaciona rendimento, consumo e poupança (com as propensões), distingue poupança de entesouramento, caracteriza o investimento e a FBCF, explica o financiamento do investimento e a ligação entre poupança, investimento e crescimento.

5 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Padrão 4 · Aprofundamento 1

T·0777 / 12
Perfil de exame
Relacionar rendimento, consumo e poupança e calcular propensões a consumir e a pouparDistinguir poupança de entesouramento e identificar os seus destinosCaracterizar o investimento e a formação bruta de capital fixo (FBCF)Explicar o financiamento do investimento e a relação poupança–investimento
Operadores:relacionacalculadistinguecaracterizaexplicainterpreta

nível básico

Distinguir consumo de poupança e identificar os destinos da poupança e os tipos de investimento.

nível avançado

Calcular propensões a consumir e a poupar e explicar a ligação poupança–investimento–crescimento.

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. Poupança e investimento
    • 01Utilização do rendimento: consumo e poupança◐
    • 02A poupança: motivos e destinos◐
    • 03O investimento e a FBCF◐
    • 04O financiamento do investimento◐
    • 05Poupança, investimento e crescimento●
§ 01

Utilização do rendimento: consumo e poupança#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-poupanca-investimento

Pontos-chave

O rendimento disponível das famílias tem apenas dois destinos: é gasto em consumo ou é poupado. A poupança é, por definição, a parte do rendimento que NÃO é consumida num dado período: S = Y − C. Consumo e poupança são, assim, as duas faces da utilização do rendimento — o que não se gasta, poupa-se. A repartição entre os dois depende sobretudo do nível de rendimento, mas também das taxas de juro, das expectativas e dos hábitos.
A relação entre o consumo e o rendimento capta-se pela função consumo (ver Fig. 1). Mesmo com rendimento nulo há um consumo mínimo (consumo autónomo), financiado por poupanças anteriores ou crédito; à medida que o rendimento aumenta, o consumo aumenta, mas menos que proporcionalmente — parte do acréscimo é poupada. No gráfico, a reta a 45° representa a igualdade C = Y: à esquerda do ponto de cruzamento, o consumo excede o rendimento (poupança negativa); à direita, o rendimento excede o consumo (poupança positiva).

A função consumo e a reta a 45°

Função consumoGráfico de C = Y (45°), zeros em x = 0, ordenada na origem y = 0, crescente, no intervalo x de 0 a 1500, Gráfico de Função consumo, ordenada na origem y = 200, crescente, no intervalo x de 0 a 1500200400600800100012001400200400600800100012001400poupança nula(Y = 500)C = Y (45°)Função consumoConsumo (C)Rendimento (Y)
Fig. 1Fig. 1 — Função consumo C = 200 + 0,6·Y e reta a 45° (C = Y). Cruzam-se em Y = 500 (poupança nula): à esquerda, poupança negativa; à direita, positiva.
Para medir estes comportamentos usam-se as propensões. A propensão média a consumir (PmeC = C/Y) é a fração do rendimento gasta em consumo; a propensão média a poupar (PmeS = S/Y) é a fração poupada; somam sempre 1. Mais informativas são as propensões MARGINAIS: a propensão marginal a consumir (PmgC = ΔC/ΔY) é a fração de cada euro ADICIONAL de rendimento que é consumida, e a propensão marginal a poupar (PmgS = ΔS/ΔY) a fração poupada; também somam 1 (ver fórmulas).
As propensões variam com o rendimento: em famílias de baixo rendimento, quase todo o acréscimo é consumido (PmgC alta, PmgS baixa), porque as necessidades básicas absorvem o rendimento; em famílias de rendimento alto, uma fração maior é poupada. Este facto tem implicações macroeconómicas importantes (por exemplo, para a eficácia de apoios ao rendimento) e liga-se à repartição dos rendimentos e ao consumo, estudados antes.
PmeC=CY,PmeS=SY,PmeC+PmeS=1PmeC = \dfrac{C}{Y}, \quad PmeS = \dfrac{S}{Y}, \quad PmeC + PmeS = 1PmeC=YC​,PmeS=YS​,PmeC+PmeS=1

Propensões médias

Frações do rendimento total (Y) gastas em consumo (C) e poupadas (S); somam sempre 1.

PmgC=ΔCΔY,PmgS=ΔSΔY,PmgC+PmgS=1PmgC = \dfrac{\Delta C}{\Delta Y}, \quad PmgS = \dfrac{\Delta S}{\Delta Y}, \quad PmgC + PmgS = 1PmgC=ΔYΔC​,PmgS=ΔYΔS​,PmgC+PmgS=1

Propensões marginais

Frações de cada euro ADICIONAL de rendimento que são consumidas e poupadas; também somam 1.

Exemplo resolvido

Calcular propensões marginais

O rendimento de uma família passa de 1000 € para 1200 € e o consumo de 800 € para 920 €. Calcula a propensão marginal a consumir e a propensão marginal a poupar.

  1. 01Variações

    ΔY = 1200 − 1000 = 200 €; ΔC = 920 − 800 = 120 €.

  2. 02Propensão marginal a consumir

    PmgC = ΔC/ΔY = 120/200 = 0,6: 60 % de cada euro adicional é consumido.

  3. 03Propensão marginal a poupar

    PmgS = 1 − PmgC = 1 − 0,6 = 0,4 (ou ΔS/ΔY: ΔS = 200 − 120 = 80; 80/200 = 0,4).

  4. 04Leitura

    Dos 200 € adicionais, 120 € foram consumidos e 80 € poupados.

Resultado: PmgC = 0,6 e PmgS = 0,4 (somam 1).

Foco no Exame Nacional

  • Relacionar consumo, poupança e rendimento (S = Y − C) e interpretar a função consumo e a reta a 45°.
  • Calcular as propensões média e marginal a consumir e a poupar.

Erros frequentes

  • Confundir propensão média (C/Y ou S/Y, sobre o total) com propensão marginal (ΔC/ΔY ou ΔS/ΔY, sobre o acréscimo).
  • Esquecer que a poupança pode ser negativa (quando o consumo excede o rendimento) — não é sempre positiva.

Revisão ativa

Quando o rendimento passa de 1000 € para 1200 €, o consumo passa de 800 € para 920 €. Calcula a propensão marginal a consumir e a propensão marginal a poupar.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Consumo e poupança) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A poupança: motivos e destinos#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-poupanca-investimento

Pontos-chave

A poupança é a parte do rendimento não consumida num período. Poupa-se por vários motivos: por precaução (fazer face a imprevistos — desemprego, doença), para constituir uma reserva para o futuro (reforma, educação dos filhos), para adquirir bens de valor elevado (casa, automóvel), para deixar herança, ou para obter rendimento (juro, dividendos). Os motivos e o nível da poupança dependem do rendimento, da taxa de juro (que remunera a poupança), da confiança no futuro e da existência de proteção social.
É fundamental distinguir poupança de entesouramento (ver Fig. 2). A poupança propriamente dita é aplicada — depositada num banco, investida em ações, obrigações ou num negócio — e, por essa via, regressa ao circuito económico, financiando o investimento de outros. O entesouramento é a moeda guardada inativa (o «dinheiro debaixo do colchão»), que sai do circuito e não financia coisa nenhuma; além disso, perde valor com a inflação. Poupar de forma produtiva é aplicar, não entesourar.

Poupança aplicada vs entesouramento

Destinos da poupançaGrafo, Rendimento disponível → Consumo, Rendimento disponível → Poupança, Poupança → Aplicação (depósitos, ações, obrigações), Poupança → Entesouramento (fora do circuito), Aplicação (depósitos, ações, obrigações) → Financia o investimentoRendimentodisponívelConsumoPoupançaAplicação(depósitos,ações, obrigaçõ…Entesouramento(fora docircuito)Financia oinvestimento
Fig. 2Fig. 2 — A poupança aplicada regressa ao circuito e financia o investimento; o entesouramento (moeda inativa) sai do circuito e nada financia.
Os destinos da poupança aplicada são variados e distinguem-se pelo binómio risco–rendibilidade e pela liquidez. Um depósito a prazo é seguro e líquido, mas rende pouco; as ações e as obrigações podem render mais, com maior risco; a compra de um imóvel ou a aplicação num negócio próprio são menos líquidas. A escolha do aforrador entre estas aplicações depende do seu perfil e horizonte, e é através destas escolhas que a poupança se transforma em financiamento da economia.
A poupança tem um papel macroeconómico decisivo: é a fonte última do financiamento do investimento e, portanto, do crescimento. Uma economia que poupa e aplica bem a sua poupança dispõe de recursos para investir sem depender excessivamente do exterior. Mas a poupança só cumpre esse papel se for canalizada para o investimento (pelo sistema financeiro) — daí a importância de distinguir a poupança aplicada do mero entesouramento.
Exemplo resolvido

Poupança ou entesouramento?

A Ana deposita 3000 € num depósito a prazo; o Bruno guarda 3000 € numa gaveta em casa. Classifica cada comportamento e explica as consequências económicas ao fim de um ano de inflação de 4 %.

  1. 01Ana

    Aplica a poupança num banco — poupança propriamente dita; o dinheiro regressa ao circuito (o banco pode emprestá-lo a investidores) e rende juro.

  2. 02Bruno

    Guarda moeda inativa — entesouramento; o dinheiro sai do circuito e não financia qualquer investimento.

  3. 03Efeito da inflação

    Com inflação de 4 %, os 3000 € do Bruno perdem cerca de 4 % de poder de compra (valem, em real, ≈ 2885 €); os da Ana, além de renderem juro, também são corroídos pela inflação, mas o juro atenua a perda.

Resultado: Ana: poupança aplicada (rende e financia o investimento); Bruno: entesouramento (inativo e desvalorizado pela inflação).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir poupança (aplicada, regressa ao circuito) de entesouramento (moeda inativa, fora do circuito).
  • Identificar motivos e destinos da poupança e relacioná-los com risco, rendibilidade e liquidez.

Erros frequentes

  • Tratar entesouramento e poupança como sinónimos — o entesouramento é moeda inativa que NÃO financia o investimento.
  • Ignorar que a poupança entesourada perde valor com a inflação (ao contrário da poupança aplicada, que rende).

Revisão ativa

Distingue poupança de entesouramento e explica por que só a primeira contribui para o financiamento do investimento. Dá um exemplo de cada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Poupança) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

O investimento e a FBCF#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-poupanca-investimento

Pontos-chave

Investir, em Economia, é adquirir bens de capital destinados a produzir outros bens — não é o mesmo que a linguagem corrente, em que «investir» pode significar comprar ações ou depositar dinheiro (isso é aplicação da poupança). O investimento (formação de capital) aumenta ou repõe a capacidade produtiva de uma economia: máquinas, equipamentos, edifícios, infraestruturas, software. É o investimento que desloca a FPP para fora e sustenta o crescimento.
O investimento classifica-se por vários critérios (ver Fig. 3). Quanto ao objetivo, distingue-se investimento de substituição (repor o capital gasto/depreciado, para manter a capacidade) de investimento de expansão (aumentar a capacidade produtiva). Quanto à natureza, distingue-se investimento material (bens físicos: máquinas, edifícios) de investimento imaterial (investigação e desenvolvimento, formação, software, marcas) — este último cada vez mais importante nas economias do conhecimento.

Tipos de investimento

Tipos de investimentoTabela com 3 colunas e 3 linhas, Dados: Critério · Tipos · Exemplo; Quanto ao objetivo · Substituição / Expansão · Repor máquina gasta / abrir nova linha; Quanto à natureza · Material / Imaterial · Edifício, máquina / I&D, formação, software; Na Contabilidade Nacional · FBCF / Variação de existências · Capital fixo adquirido / stocks de bensCRITÉRIOTIPOSEXEMPLOQuanto ao objetivoSubstituição / ExpansãoRepor máquina gasta /abrirnova linhaQuanto à naturezaMaterial / ImaterialEdifício, máquina /I&D,formação, softwareNa Contabilidade NacionalFBCF /Variação deexistênciasCapital fixo adquirido /stocks de bensClassificação do investimento
Fig. 3Fig. 3 — Classificação do investimento. A FBCF (formação bruta de capital fixo) é a principal medida do investimento na Contabilidade Nacional.
Na Contabilidade Nacional, a principal medida do investimento é a formação bruta de capital fixo (FBCF): o valor dos bens de capital fixo adquiridos pelas empresas, famílias e Estado num período. É «bruta» porque inclui o investimento de substituição (a reposição do capital depreciado); deduzindo a depreciação, obtém-se a formação LÍQUIDA de capital fixo, que mede o aumento real da capacidade. A FBCF é uma das componentes da despesa no cálculo do PIB (o «I»).
O investimento é um dos motores da procura e do crescimento, mas é também a componente mais volátil da despesa, porque depende fortemente das expectativas dos empresários sobre o futuro (a confiança), da taxa de juro (custo do financiamento) e da rendibilidade esperada. Quando a confiança cai, o investimento contrai-se rapidamente, arrastando a atividade; quando sobe, expande-se. Esta ligação entre expectativas, investimento e atividade é central na análise macroeconómica.
Exemplo resolvido

Classificar investimentos

Classifica quanto ao objetivo e à natureza: (a) uma padaria compra um forno para substituir o que avariou; (b) uma fábrica constrói um pavilhão novo para aumentar a produção; (c) uma empresa financia a formação dos seus trabalhadores.

  1. 01(a) Forno de substituição

    Repõe capital gasto, mantendo a capacidade — investimento de substituição; bem físico — material.

  2. 02(b) Novo pavilhão

    Aumenta a capacidade produtiva — investimento de expansão; construção física — material (integra a FBCF).

  3. 03(c) Formação

    Aumenta a qualidade do trabalho sem bem físico — investimento imaterial (em capital humano).

Resultado: (a) substituição, material; (b) expansão, material; (c) imaterial (capital humano).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir investimento (bens de capital) de aplicação da poupança e classificar o investimento (substituição/expansão; material/imaterial).
  • Definir a FBCF e reconhecê-la como componente da despesa no PIB.

Erros frequentes

  • Chamar «investimento» à compra de ações ou a um depósito — isso é aplicação da poupança; investimento é a aquisição de bens de capital produtivos.
  • Confundir formação BRUTA (inclui a reposição do capital gasto) com formação LÍQUIDA de capital fixo (já deduzida a depreciação).

Revisão ativa

Classifica cada operação: (a) uma padaria compra um forno novo para substituir o avariado; (b) uma fábrica constrói um novo pavilhão para produzir mais; (c) uma empresa financia formação dos trabalhadores.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Investimento e FBCF) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O financiamento do investimento#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-poupanca-investimento

Pontos-chave

Para investir, uma empresa precisa de fundos, que pode obter por duas grandes vias (ver Fig. 4). O autofinanciamento (financiamento interno) usa recursos gerados pela própria empresa — sobretudo os lucros retidos (não distribuídos) e as amortizações. Tem a vantagem de não gerar dívida nem juros, mas é limitado pela dimensão dos resultados: dificilmente chega para grandes investimentos.

Fontes de financiamento do investimento

Financiamento do investimentoGrafo, Autofinanciamento (lucros retidos) → Investimento, Crédito bancário → Investimento, Mercado de capitais (ações, obrigações) → InvestimentoAutofinanciamento(lucros retidos)Crédito bancárioMercado decapitais (ações,obrigações)Investimentointernoexterno(indireto)externo(direto)
Fig. 4Fig. 4 — O investimento financia-se por autofinanciamento (interno) ou por financiamento externo — crédito bancário (indireto) e mercado de capitais (direto).
O financiamento externo obtém fundos fora da empresa e assume duas formas principais. O crédito bancário (financiamento indireto) consiste em pedir emprestado a um banco, com a obrigação de devolver o capital e pagar juro. O recurso ao mercado de capitais (financiamento direto) consiste em obter fundos diretamente dos aforradores, emitindo ações (que dão uma parte do capital da empresa e direito a dividendos) ou obrigações (títulos de dívida que pagam juro). Em qualquer caso, é a poupança de uns que financia o investimento de outros.
A escolha entre estas fontes depende do custo (a taxa de juro, os encargos), do risco (endividar-se aumenta a vulnerabilidade), do controlo (emitir ações dilui o controlo dos donos) e da dimensão e maturidade da empresa (as pequenas dependem mais do crédito bancário; as grandes acedem ao mercado de capitais). A estrutura de financiamento é uma decisão estratégica importante.
É aqui que se vê o papel central do sistema financeiro, estudado no tema da moeda: ele faz a ponte entre a poupança e o investimento. Sem instituições e mercados financeiros que recolham a poupança dispersa e a canalizem para quem investe, muitos investimentos rentáveis não se realizariam por falta de financiamento. Um sistema financeiro eficiente e estável é, por isso, condição do investimento e do crescimento.
Exemplo resolvido

Vias de financiamento

Uma empresa quer financiar a construção de uma nova fábrica. Apresenta três vias possíveis, indicando para cada uma uma vantagem e um inconveniente.

  1. 01Autofinanciamento

    Usar lucros retidos. Vantagem: não gera dívida nem juros. Inconveniente: limitado pela dimensão dos lucros — pode não chegar.

  2. 02Crédito bancário

    Pedir emprestado ao banco. Vantagem: acesso rápido a fundos avultados. Inconveniente: gera dívida e obriga a pagar juro (aumenta o risco).

  3. 03Mercado de capitais

    Emitir ações ou obrigações. Vantagem: capta grandes montantes junto dos aforradores. Inconveniente: emitir ações dilui o controlo dos donos; emitir obrigações gera dívida.

Resultado: Autofinanciamento (sem dívida, mas limitado), crédito bancário (rápido, mas com juro) e mercado de capitais (grandes montantes, mas dilui controlo/gera dívida).

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir autofinanciamento de financiamento externo e, dentro deste, crédito bancário de mercado de capitais.
  • Explicar o papel do sistema financeiro na ligação entre poupança e investimento.

Erros frequentes

  • Confundir ações (partes do capital, com dividendos) com obrigações (títulos de dívida, com juro).
  • Julgar que o autofinanciamento «não tem custo» — tem custo de oportunidade (os lucros retidos poderiam ter outra aplicação).

Revisão ativa

Uma empresa quer financiar um grande investimento. Indica três formas de o fazer e uma vantagem e um inconveniente de cada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Financiamento do investimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Poupança, investimento e crescimento#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-a-poupanca-investimento

Pontos-chave

Poupança e investimento estão intimamente ligados: a poupança fornece os fundos que o investimento utiliza. Numa economia fechada e sem Estado, a poupança das famílias financia diretamente o investimento das empresas; numa economia aberta, o investimento pode ainda ser financiado por poupança externa (entrada de capitais). Em qualquer caso, não há investimento sustentável sem uma fonte de financiamento — poupança interna ou externa.
A ligação faz-se através do sistema financeiro, que recolhe a poupança e a coloca à disposição de quem investe. Forma-se assim um circuito virtuoso (ver Fig. 5): a poupança financia o investimento, que aumenta a capacidade produtiva e a produtividade, que gera mais produção e rendimento, parte do qual é de novo poupado e investido. É este encadeamento que sustenta o crescimento económico de longo prazo e a deslocação da FPP para fora.

O circuito virtuoso poupança–investimento–crescimento

Poupança, investimento e crescimentoGrafo, Poupança → Investimento, Investimento → Capacidade produtiva, Capacidade produtiva → Produção e rendimento, Produção e rendimento → PoupançaPoupançaInvestimentoCapacidadeprodutivaProdução erendimentofinanciaaumentageraparte époupada
Fig. 5Fig. 5 — Circuito virtuoso: a poupança financia o investimento, que aumenta a capacidade produtiva e o rendimento, alimentando nova poupança e investimento.
Para que o circuito funcione, é preciso que a poupança seja efetivamente aplicada (e não entesourada) e que o investimento seja produtivo. Uma economia que poupa pouco tende a depender de financiamento externo (endividamento face ao exterior); uma economia que poupa mas investe mal (em projetos pouco rentáveis) desperdiça recursos. A quantidade E a qualidade do investimento importam.
Este tema fecha o estudo da utilização do rendimento e prepara a Contabilidade Nacional. O investimento (I) e a poupança (S) reaparecerão como agregados macroeconómicos; a despesa em investimento é uma componente do PIB pela ótica da despesa. Compreender que a poupança de hoje é o investimento de amanhã, e o crescimento de depois, é uma das ideias mais poderosas da Economia.
Exemplo resolvido

Da poupança ao crescimento

Explica o encadeamento pelo qual a poupança de uma economia se converte em crescimento e indica duas condições para que esse encadeamento funcione.

  1. 01Encadeamento

    A poupança aplicada é canalizada pelo sistema financeiro para o investimento; o investimento aumenta a capacidade produtiva e a produtividade; daí resulta mais produção e rendimento; parte desse rendimento é de novo poupada e investida.

  2. 02Condição 1

    A poupança tem de ser APLICADA (não entesourada) e canalizada por um sistema financeiro que a ligue ao investimento.

  3. 03Condição 2

    O investimento tem de ser PRODUTIVO (em projetos rentáveis), para que se traduza efetivamente em mais capacidade e rendimento.

Resultado: Poupança → investimento → capacidade produtiva → rendimento → nova poupança; exige poupança aplicada e investimento produtivo.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar a ligação poupança–investimento e o papel do sistema financeiro nessa ligação.
  • Relacionar poupança, investimento e crescimento económico (circuito virtuoso).

Erros frequentes

  • Pensar que o investimento não precisa de uma fonte de financiamento (poupança interna ou externa).
  • Assumir que mais poupança gera automaticamente mais crescimento, esquecendo que ela tem de ser aplicada em investimento produtivo.

Revisão ativa

Explica, com um esquema, como a poupança de uma economia se pode transformar em crescimento económico e que condições são necessárias para isso.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Poupança, investimento e crescimento) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Utilização do rendimento: consumo e poupança◐
    • 02A poupança: motivos e destinos◐
    • 03O investimento e a FBCF◐
    • 04O financiamento do investimento◐
    • 05Poupança, investimento e crescimento●

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Dos resumos à prática

Poupança e investimento

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Consumo e poupança)

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