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Resumos/Economia A/A atividade económica e a Ciência Económica
Resumos · Economia APT · Secundário

A atividade económica e a Ciência Económica

A Economia é a ciência social que estuda como as sociedades gerem recursos escassos para satisfazer necessidades ilimitadas. Este tema fixa o problema económico — escassez, escolha e custo de oportunidade —, representa-o na fronteira de possibilidades de produção e apresenta a atividade económica (produção, repartição e despesa) e os agentes que a protagonizam.

5 secções·~18 min de leitura·4 competências·Nível Base 2 · Padrão 2 · Aprofundamento 1

T·0111 / 12
Perfil de exame
Caracterizar a Economia como ciência social e delimitar o seu objeto de estudoDistinguir necessidades de bens e classificar uns e outrosExplicar a escassez e o custo de oportunidade e representá-los na fronteira de possibilidades de produçãoRelacionar as fases da atividade económica com os agentes económicos
Operadores:definedistingueclassificaexplicarepresentacalcularelacionajustifica

nível básico

Dominar os conceitos-base (necessidade, bem, escassez, custo de oportunidade) e ler a fronteira de possibilidades de produção.

nível avançado

Calcular custos de oportunidade a partir de tabelas de produção e interpretar deslocamentos da FPP como crescimento económico.

Profundidade

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A atividade económica e a Ciência Económica
    • 01A Economia como ciência social○
    • 02Necessidades e bens○
    • 03Escassez, escolha e custo de oportunidade◐
    • 04A fronteira de possibilidades de produção●
    • 05A atividade económica e os agentes◐
§ 01

A Economia como ciência social#

●○○BaseLPAE-economia-a-atividade-ciencia

Pontos-chave

A Economia é uma ciência social: estuda o comportamento humano, mas em concreto o modo como os indivíduos e as sociedades organizam a satisfação das suas necessidades. O ponto de partida é uma tensão permanente — as necessidades humanas são praticamente ilimitadas, ao passo que os recursos disponíveis para as satisfazer (tempo, trabalho, matérias-primas, capital) são limitados, isto é, escassos. Deste desencontro nasce o problema económico, que obriga a escolher. A Economia é, por isso, muitas vezes definida como a ciência que estuda a afetação de recursos escassos a fins alternativos.
Sendo uma ciência social, a Economia não faz experiências em laboratório como a Física; observa a realidade, constrói modelos (representações simplificadas que retêm o essencial) e raciocina frequentemente com a cláusula «tudo o resto constante» (ceteris paribus), para isolar o efeito de uma variável de cada vez. Estes modelos permitem explicar factos e prever comportamentos, sabendo-se que a realidade é sempre mais complexa do que qualquer modelo. O rigor da Economia está no encadeamento lógico do raciocínio e na confrontação com os dados, não na certeza absoluta das previsões.
Distingue-se a economia positiva da economia normativa. A economia positiva descreve e explica o que É — «uma subida do preço do combustível reduz o consumo», uma afirmação que se pode confrontar com os dados. A economia normativa pronuncia-se sobre o que DEVE ser — «o Estado deve baixar o imposto sobre os combustíveis» —, envolvendo juízos de valor que a ciência, por si só, não pode demonstrar. Confundir os dois planos é um erro frequente: a análise económica informa a decisão política, mas não a substitui.
Consoante a escala de análise, a Economia divide-se em microeconomia e macroeconomia (ver Fig. 1). A microeconomia estuda as unidades individuais — o consumidor, a empresa, um mercado particular — e o modo como formam preços e quantidades. A macroeconomia estuda a economia no seu conjunto — o produto nacional, o desemprego, a inflação, o crescimento —, agregando os comportamentos individuais. As duas perspetivas completam-se: sem compreender as decisões individuais (micro) não se explicam os agregados (macro), e vice-versa.

O objeto e os ramos da Ciência Económica

Objeto e ramos da EconomiaDiagrama em árvore, 6 caminhos, Dados: Problema central → Necessidades ilimitadas; Problema central → Recursos escassos; Ramos → Microeconomia; Ramos → Macroeconomia; Abordagens → Positiva (o que é); Abordagens → Normativa (o que deve ser)Problema cent…RamosAbordagensEconomia (ciê…Necessidades …Recursos esca…MicroeconomiaMacroeconomiaPositiva (o q…Normativa (o …
Fig. 1Fig. 1 — A Economia estuda a afetação de recursos escassos a necessidades ilimitadas; analisa-se à escala micro ou macro e em registo positivo ou normativo.
Exemplo resolvido

Positiva ou normativa? Micro ou macro?

Classifica cada afirmação quanto ao registo (positivo/normativo) e à escala (micro/macro): (a) «quando o preço do pão sobe, as famílias compram menos pão»; (b) «o Governo deveria aumentar o salário mínimo»; (c) «a taxa de inflação do país foi de 3 %».

  1. 01(a)

    Descreve uma relação observável entre preço e quantidade de um bem — registo POSITIVO; refere-se a um mercado particular (o pão) — escala MICRO.

  2. 02(b)

    Contém um juízo de valor («deveria») sobre uma política — registo NORMATIVO; incide sobre uma variável do conjunto da economia (salário mínimo, mercado de trabalho nacional) — escala MACRO.

  3. 03(c)

    Enuncia um facto mensurável sobre a economia no seu todo — registo POSITIVO; a inflação é um agregado — escala MACRO.

Resultado: (a) positiva/micro; (b) normativa/macro; (c) positiva/macro.

Foco no Exame Nacional

  • Definir a Economia como ciência social e identificar o problema económico (escassez e escolha).
  • Distinguir economia positiva de economia normativa e microeconomia de macroeconomia.

Erros frequentes

  • Apresentar uma afirmação normativa («o Estado deve…») como se fosse uma conclusão científica (positiva).
  • Confundir microeconomia (unidades individuais) com macroeconomia (agregados da economia no seu todo).

Revisão ativa

Classifica cada afirmação como positiva ou normativa e como micro ou macro: (a) «o desemprego em Portugal aumentou»; (b) «a empresa deveria contratar mais trabalhadores».

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (A Economia como ciência social) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Necessidades e bens#

●○○BaseLPAE-economia-a-atividade-ciencia

Pontos-chave

Uma necessidade económica é a sensação de falta de algo, acompanhada do desejo e do esforço de a satisfazer. As necessidades têm características próprias: são ilimitadas em número (à medida que uma é satisfeita, surgem outras, sobretudo com o progresso e a publicidade), são saciáveis individualmente (uma necessidade concreta satisfaz-se num dado momento — a sede sacia-se), e são frequentemente substituíveis (a mesma necessidade pode ser satisfeita por meios diferentes). Distinguem-se necessidades primárias, ligadas à sobrevivência (alimentar-se, vestir-se, abrigar-se), de necessidades secundárias, ligadas ao bem-estar e à cultura (lazer, educação, comunicação), e necessidades individuais de necessidades coletivas (satisfeitas em conjunto, como a segurança ou a iluminação pública).
Os bens são os meios — materiais ou imateriais — capazes de satisfazer necessidades. A distinção económica fundamental é entre bens livres e bens económicos. Os bens livres existem em quantidade praticamente ilimitada, são acessíveis a todos sem esforço e não têm preço (o ar que respiramos, em condições normais). Os bens económicos são escassos face às necessidades, exigem esforço/produção para os obter, são apropriáveis e têm um preço — são estes o objeto da Economia. A fronteira entre os dois não é fixa: a água potável, outrora tida como bem quase livre, é hoje, em muitos contextos, um claro bem económico.
Os bens económicos classificam-se por vários critérios que convém não misturar (ver Fig. 2). Quanto à função, distinguem-se bens de consumo, que satisfazem diretamente necessidades (um gelado, um livro), de bens de produção ou de capital, que servem para produzir outros bens (uma máquina, uma fábrica). Quanto à duração, há bens duradouros, usados repetidamente ao longo do tempo (um automóvel), e não duradouros, que se esgotam num só uso ou em poucos (os alimentos). Um mesmo objeto pode mudar de categoria conforme o uso: um automóvel é bem de consumo para uma família e bem de produção para uma empresa de transportes.

Classificação dos bens económicos

Critérios de classificação dos bensDiagrama em árvore, 8 caminhos, Dados: Raridade → Livres; Raridade → Económicos; Função → De consumo; Função → De produção (capital); Duração → Duradouros; Duração → Não duradouros; Relação → Substitutos; Relação → ComplementaresRaridadeFunçãoDuraçãoRelaçãoBensLivresEconómicosDe consumoDe produção (…DuradourosNão duradourosSubstitutosComplementares
Fig. 2Fig. 2 — Os bens classificam-se por critérios independentes; um mesmo bem ocupa uma posição em cada critério (por exemplo: económico, de consumo, duradouro).
Quanto à relação entre si, dois bens dizem-se substitutos quando um pode ocupar o lugar do outro na satisfação da necessidade (a manteiga e a margarina, o chá e o café): se o preço de um sobe, a procura do outro tende a aumentar. Dizem-se complementares quando se usam em conjunto e um exige o outro (o automóvel e o combustível, a impressora e os tinteiros): se o preço de um sobe, a procura de ambos tende a diminuir. Distingue-se ainda os bens materiais (com existência física) dos serviços (bens imateriais, como um corte de cabelo ou uma consulta), tema que se desenvolve no capítulo da produção.
Exemplo resolvido

Classificar bens por vários critérios

Uma padaria usa um forno industrial para cozer pão, que vende às famílias. Classifica o forno e o pão quanto à função e à duração e indica um bem substituto e um complementar do pão.

  1. 01Forno industrial

    Serve para produzir outros bens (pão) — bem de produção (capital); é usado repetidamente ao longo de anos — bem duradouro.

  2. 02Pão

    Satisfaz diretamente uma necessidade da família — bem de consumo; esgota-se com o uso — bem não duradouro.

  3. 03Substituto do pão

    As tostas ou os bolachas de água e sal podem substituir o pão na mesma necessidade alimentar — bem substituto.

  4. 04Complementar do pão

    A manteiga usa-se em conjunto com o pão — bem complementar.

Resultado: Forno: de produção e duradouro; pão: de consumo e não duradouro. Substituto: tostas; complementar: manteiga.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir bens livres de bens económicos e justificar por que só os económicos interessam à Economia.
  • Classificar bens quanto à função, à duração e à relação (substitutos/complementares).

Erros frequentes

  • Considerar «gratuito» sinónimo de «livre»: um bem pode ter preço zero para quem o recebe (um serviço público) e ser, ainda assim, um bem económico (custou recursos a produzir).
  • Classificar um bem de forma absoluta, esquecendo que o mesmo bem pode ser de consumo ou de produção conforme o uso que dele se faz.

Revisão ativa

Classifica quanto à função e à duração: (a) uma máquina de café numa cafetaria; (b) o pão comprado por uma família; (c) um computador usado por um estudante. Indica ainda um bem substituto e um complementar do pão.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Necessidades e bens) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Escassez, escolha e custo de oportunidade#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-atividade-ciencia

Pontos-chave

A escassez é o conceito central da Economia: os recursos são limitados face à multiplicidade de fins a que poderiam servir. Não se trata de pobreza nem de raridade absoluta — mesmo uma sociedade rica enfrenta escassez, porque os seus recursos, por muitos que sejam, nunca chegam para TODAS as utilizações possíveis ao mesmo tempo. A escassez é relativa: confronta os meios disponíveis com os fins desejados. É a escassez que confere valor económico aos bens e que torna o ato de escolher inevitável.
Porque os recursos são escassos, usá-los de uma forma implica não os usar noutra. Toda a escolha é, simultaneamente, uma renúncia. O custo de oportunidade de uma decisão é o valor da melhor alternativa a que se renuncia ao tomá-la. Se com um dado orçamento e num dado tempo a economia (ou uma pessoa) opta por A em vez de B, o custo de oportunidade de A é aquilo que B lhe teria proporcionado. Este custo não é necessariamente monetário: o custo de oportunidade de uma hora de estudo pode ser uma hora de sono ou de convívio.
O custo de oportunidade obriga a raciocinar sempre em termos de alternativas, e não de forma isolada. Um país que decide produzir mais equipamento militar com recursos plenamente empregues está a renunciar a bens civis (a célebre alternativa «canhões ou manteiga»); uma empresa que aplica os seus fundos numa máquina renuncia ao juro que obteria aplicando-os no banco. Reconhecer o custo de oportunidade é reconhecer que «não há almoços grátis»: mesmo o que parece gratuito consome recursos que teriam outro uso.
O custo de oportunidade pode medir-se. Quando uma economia produz apenas dois bens com recursos plenamente empregues, cada unidade adicional de um bem obtém-se sacrificando uma certa quantidade do outro (ver Fig. 3). Esse sacrifício — a quantidade do bem cedido por cada unidade ganha do outro — é precisamente o custo de oportunidade, e tende a aumentar à medida que se especializa a produção, porque os recursos não são igualmente adequados a produzir os dois bens (rendimentos decrescentes na reafectação).

Combinações produtivas e custo de oportunidade

Tabela de possibilidades de produçãoTabela com 4 colunas e 6 linhas, Dados: Combinação · Automóveis (consumo) · Máquinas (investimento) · Custo de oportunidade de +1 automóvel; A · 0 · 15 · —; B · 1 · 14 · 1 máquina; C · 2 · 12 · 2 máquinas; D · 3 · 9 · 3 máquinas; E · 4 · 5 · 4 máquinas; F · 5 · 0 · 5 máquinasCOMBINAÇÃOAUTOMÓVEIS (CONSUMO)MÁQUINAS(INVESTIMENTO)CUSTO DE OPORTUNIDADEDE +1 AUTOMÓVELA015—B1141 máquinaC2122 máquinasD393 máquinasE454 máquinasF505 máquinasCusto de oportunidade crescente ao especializar emautomóveis
Fig. 3Fig. 3 — Combinações produtivas de uma economia com recursos plenamente empregues. Cada automóvel adicional custa cada vez mais máquinas: o custo de oportunidade é crescente.
Custo de oportunidade de X=quantidade sacrificada de Yquantidade obtida de X\text{Custo de oportunidade de X} = \dfrac{\text{quantidade sacrificada de Y}}{\text{quantidade obtida de X}}Custo de oportunidade de X=quantidade obtida de Xquantidade sacrificada de Y​

Custo de oportunidade (dois bens)

Numa economia com recursos plenamente empregues, o custo de oportunidade de cada unidade adicional de um bem X é a quantidade do outro bem Y a que se renuncia para a produzir.

Exemplo resolvido

Calcular custos de oportunidade a partir da tabela

Usando a Fig. 3, calcula o custo de oportunidade de passar da combinação C para a D e da combinação A para a C, em máquinas sacrificadas. Comenta a evolução.

  1. 01De C para D

    Automóveis: 2 → 3 (mais 1). Máquinas: 12 → 9 (menos 3). Custo de oportunidade do 3.º automóvel = 3 máquinas.

  2. 02De A para C

    Automóveis: 0 → 2 (mais 2). Máquinas: 15 → 12 (menos 3). Custo de oportunidade dos 2 primeiros automóveis = 3 máquinas (1 + 2).

  3. 03Evolução

    O 1.º automóvel custou 1 máquina, o 2.º custou 2, o 3.º custou 3…: o custo de oportunidade é crescente, o que reflete recursos não igualmente aptos a produzir os dois bens.

Resultado: C→D: 3 máquinas; A→C: 3 máquinas (1+2). O custo de oportunidade cresce à medida que se especializa em automóveis.

Foco no Exame Nacional

  • Definir escassez (relativa) e distinguir de pobreza ou de raridade absoluta.
  • Calcular o custo de oportunidade a partir de uma tabela de combinações produtivas e interpretá-lo.

Erros frequentes

  • Confundir custo de oportunidade com o custo monetário (preço) — o custo de oportunidade é a MELHOR alternativa sacrificada, medida em bens ou satisfação, não necessariamente em dinheiro.
  • Somar todas as alternativas sacrificadas: o custo de oportunidade é apenas a MELHOR delas, não a soma de todas.

Revisão ativa

Dispões de 10 € e de uma tarde livre. Se comprares um livro (8 €) e passares a tarde a lê-lo, indica dois custos de oportunidade dessa decisão e identifica o custo de oportunidade propriamente dito (a melhor alternativa).

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Escassez e custo de oportunidade) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

A fronteira de possibilidades de produção#

●●●AprofundamentoLPAE-economia-a-atividade-ciencia

Pontos-chave

A fronteira de possibilidades de produção (FPP) é a representação gráfica das combinações MÁXIMAS de dois bens que uma economia consegue produzir num dado momento, usando plena e eficientemente todos os seus recursos e a tecnologia disponível (ver Fig. 4). Cada ponto sobre a curva é uma combinação eficiente: para produzir mais de um bem, é preciso produzir menos do outro. A FPP é o retrato gráfico do problema económico — a escassez (a curva é finita), a escolha (há vários pontos) e o custo de oportunidade (o declive da curva).

A fronteira de possibilidades de produção

Fronteira de possibilidades de produçãoGráfico de FPP, zeros em x = 10, ordenada na origem y = 10, decrescente, no intervalo x de 0 a 10246810246810BCD · subutilizaçãoE · inatingívelFPPBens de investimentoBens de consumo
Fig. 4Fig. 4 — FPP de uma economia com dois bens: B e C são eficientes (sobre a curva), D é ineficiente (interior, recursos por usar), E é inatingível (exterior).
A posição de um ponto face à FPP tem um significado preciso. Um ponto SOBRE a curva (como B ou C na Fig. 4) é eficiente e atingível. Um ponto NO INTERIOR (como D) é atingível, mas ineficiente — há recursos por utilizar ou mal utilizados (desemprego, capacidade instalada parada), pelo que se poderia produzir mais de ambos os bens sem sacrificar nenhum. Um ponto NO EXTERIOR (como E) é inatingível com os recursos e a tecnologia atuais: representa um objetivo que a economia, por agora, não consegue alcançar.
A FPP é côncava em relação à origem (curva-se para fora), e essa forma traduz o custo de oportunidade crescente. Deslocando-se ao longo da curva no sentido de mais de um bem, cada unidade adicional custa cada vez mais unidades do outro, porque os recursos transferidos são progressivamente menos adequados à nova produção. O declive da FPP em cada ponto é, precisamente, o custo de oportunidade de produzir mais uma unidade do bem representado no eixo horizontal. Se o custo de oportunidade fosse constante, a FPP seria uma reta; sendo crescente, é côncava.
A FPP não é fixa: desloca-se para fora quando a economia cresce (ver Fig. 5). O crescimento económico resulta do aumento da quantidade ou da qualidade dos recursos — mais trabalhadores ou mais qualificados, mais capital, e sobretudo progresso técnico — que passam a permitir combinações antes inatingíveis. Uma deslocação para dentro (retração) traduziria a perda de recursos (uma catástrofe, uma guerra). Note-se a distinção crucial: passar de um ponto interior para a fronteira é apenas empregar melhor os recursos existentes (recuperação); deslocar a própria fronteira para fora é crescimento económico.

Crescimento económico: a FPP desloca-se para fora

Deslocação da FPP (crescimento)Gráfico de FPP inicial, zeros em x = 10, ordenada na origem y = 10, decrescente, no intervalo x de 0 a 10, Gráfico de FPP após crescimento, zeros em x = 12, ordenada na origem y = 12, decrescente, no intervalo x de 0 a 122468101224681012antesdepoisFPP inicialFPP apóscrescimentoBens de investimentoBens de consumo
Fig. 5Fig. 5 — O crescimento económico (mais recursos ou melhor tecnologia) desloca toda a FPP para fora: tornam-se atingíveis combinações antes impossíveis.
Exemplo resolvido

Ler pontos na FPP

Numa FPP de bens de consumo e bens de investimento, a economia está no ponto D, no interior da curva. Explica o que isso significa e o que é preciso para atingir um ponto da fronteira e, depois, para ultrapassá-la.

  1. 01Significado de D

    Um ponto interior é atingível mas ineficiente: há recursos subutilizados (por exemplo, desemprego ou máquinas paradas). Poder-se-ia produzir mais dos dois bens sem sacrificar nenhum.

  2. 02Atingir a fronteira

    Basta empregar plena e eficientemente os recursos JÁ existentes (reduzir o desemprego, usar a capacidade instalada). Passa-se de D para um ponto sobre a curva sem a deslocar.

  3. 03Ultrapassar a fronteira

    Um ponto exterior só se torna atingível se a PRÓPRIA FPP se deslocar para fora — ou seja, com crescimento económico: mais recursos ou, sobretudo, progresso técnico.

Resultado: D indica subutilização; empregar bem os recursos leva à fronteira (eficiência); ultrapassá-la exige crescimento (deslocação da FPP).

Foco no Exame Nacional

  • Interpretar pontos sobre, no interior e no exterior da FPP (eficiência, subutilização, inatingibilidade).
  • Relacionar a concavidade da FPP com o custo de oportunidade crescente e distinguir deslocação AO LONGO da curva de deslocação DA curva (crescimento).

Erros frequentes

  • Confundir um ponto no interior da FPP (recursos subutilizados) com crescimento económico — este último exige a deslocação da PRÓPRIA fronteira para fora.
  • Interpretar a FPP como uma reta, ignorando que a concavidade traduz o custo de oportunidade crescente.

Revisão ativa

Desenha uma FPP de dois bens e assinala um ponto eficiente, um ineficiente e um inatingível. Mostra ainda, com uma nova curva, o efeito de uma inovação tecnológica que só aumenta a produção de um dos bens.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (Fronteira de possibilidades de produção) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

A atividade económica e os agentes#

●●○PadrãoLPAE-economia-a-atividade-ciencia

Pontos-chave

A atividade económica é o conjunto de ações através das quais a sociedade produz e utiliza bens e serviços para satisfazer necessidades. Organiza-se em três fases encadeadas e permanentes (ver Fig. 6): a produção (criação de bens e serviços a partir dos fatores produtivos), a repartição ou distribuição (os rendimentos gerados na produção — salários, juros, rendas, lucros — são distribuídos por quem contribuiu para ela) e a despesa ou utilização (os rendimentos são gastos em consumo ou canalizados para a poupança). O que se poupa financia novo investimento, que alimenta a produção seguinte.

As fases da atividade económica

Circuito das fases da atividade económicaGrafo, Produção → Repartição, Repartição → Despesa / utilização, Despesa / utilização → ProduçãoProduçãoRepartiçãoDespesa /utilizaçãogerarendimentosconsumo epoupançaasnecessidades …
Fig. 6Fig. 6 — A atividade económica é um circuito: a produção gera rendimentos (repartição) que são gastos (despesa), reativando a produção seguinte.
As três fases formam um circuito contínuo: a despesa das famílias é receita das empresas, que remuneram de novo os fatores, e assim sucessivamente. Como as necessidades se renovam constantemente, a atividade económica nunca termina — reinicia-se em ciclos sucessivos. É por isso que se fala em CIRCUITO económico, e não numa sequência linear com princípio e fim. Compreender este encadeamento é a chave para, mais adiante, medir a atividade económica (Contabilidade Nacional) e entender a interdependência dos agentes.
A atividade é protagonizada pelos agentes económicos, centros autónomos de decisão com funções típicas. As famílias (economias domésticas) consomem e fornecem fatores produtivos, sobretudo trabalho, recebendo rendimentos. As empresas produzem bens e serviços, combinando fatores e remunerando-os. O Estado (Administrações Públicas) produz bens e serviços públicos, cobra impostos e redistribui rendimentos. O Resto do Mundo representa as relações com o exterior (exportações e importações). Estas funções desenvolvem-se em detalhe no tema dos agentes e do circuito económico.
Toda a atividade económica pressupõe escolhas orientadas por um princípio de racionalidade: obter o máximo resultado com os recursos disponíveis, ou um dado resultado com o mínimo de recursos. Este princípio da eficiência atravessa as três fases — produzir sem desperdício, repartir segundo a contribuição e critérios sociais, gastar de forma a maximizar a satisfação. A Economia estuda como estas escolhas são feitas e com que consequências para o bem-estar coletivo.
Exemplo resolvido

Identificar fases e agentes

Numa economia, uma empresa têxtil produz camisas; paga salários aos trabalhadores; estes compram bens no supermercado. Identifica a fase da atividade económica em cada momento e o agente que a protagoniza.

  1. 01Produzir camisas

    Criação de bens a partir de fatores produtivos — fase da PRODUÇÃO; agente: a empresa.

  2. 02Pagar salários

    Distribuição dos rendimentos gerados na produção — fase da REPARTIÇÃO; a empresa remunera o fator trabalho fornecido pelas famílias.

  3. 03Comprar bens

    Utilização do rendimento em bens de consumo — fase da DESPESA; agente: as famílias.

  4. 04Circuito

    A despesa das famílias é receita das empresas, reiniciando o circuito — a atividade não termina, renova-se.

Resultado: Produção (empresa) → repartição/salários (empresa→famílias) → despesa/consumo (famílias); o circuito recomeça.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e ordenar as três fases da atividade económica (produção, repartição, despesa) e explicar o seu caráter circular.
  • Associar cada agente económico à sua função principal.

Erros frequentes

  • Ver a atividade económica como uma sequência linear com fim, em vez de um circuito que se renova continuamente.
  • Trocar as funções dos agentes (por exemplo, atribuir a produção de bens públicos às empresas em vez do Estado).

Revisão ativa

Associa cada situação a uma fase da atividade económica: (a) uma fábrica monta bicicletas; (b) um trabalhador recebe o salário; (c) uma família compra o jantar. Justifica.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (A atividade económica e os agentes) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01A Economia como ciência social○
    • 02Necessidades e bens○
    • 03Escassez, escolha e custo de oportunidade◐
    • 04A fronteira de possibilidades de produção●
    • 05A atividade económica e os agentes◐

0/5 Lidos

Dos resumos à prática

A atividade económica e a Ciência Económica

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Economia A — 10.º ano (A Economia como ciência social)

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Necessidades e consumo

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