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A visão começa na luz e no olho. Este tópico percorre a natureza física da luz e o espetro visível, a anatomia funcional do olho, o papel dos cones e dos bastonetes na retina e o caminho do sinal até ao córtex visual, onde se forma a cor. Compreender esta máquina de ver ajuda o desenhador a entender a luz, a cor e os limites da própria perceção.
4 secções~17 min de leitura2 competênciasNível Base 1 · Padrão 2 · Aprofundamento 1
nível básico
Saber que a luz visível é uma faixa do espetro e que o olho a converte em sinais nervosos, distinguindo cones de bastonetes.
nível avançado
Explicar a fototransdução e a base da visão tricromática, relacionando a fisiologia com a perceção da cor e da luminosidade no desenho.
Profundidade de leitura: Aprofundado
Tamanho do texto: Padrão
O espetro visível
Uma fonte emite luz com um comprimento de onda de cerca de 470 nm. Que cor percebemos e porquê? E o que aconteceria com 700 nm?
470 nm está na zona dos comprimentos de onda curtos da luz visível.
Comprimentos curtos são percebidos como azul; logo, 470 nm dá-nos a sensação de azul.
700 nm está na zona dos comprimentos longos, percebida como vermelho.
A cor não está na onda: é a resposta do sistema visual a essas energias; a mesma onda daria «azul» ou «vermelho» a qualquer observador de visão típica.
Resultado: 470 nm é percebido como azul e 700 nm como vermelho, porque a matiz depende do comprimento de onda — mas a cor é sempre uma sensação construída pelo sistema visual, não uma qualidade da própria luz.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica por que uma camisola azul parece quase preta numa sala iluminada só por uma luz vermelha, recorrendo à ideia de absorção e reflexão seletivas.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Visão (a luz e o espetro) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Corte esquemático do olho humano
Ao passar de uma rua soalheira para o interior de um cinema escuro, a visão adapta-se. Explica o que acontece à pupila e porquê, e relaciona-o com o funcionamento de uma câmara.
A íris contrai a pupila, reduzindo a entrada de luz para não «queimar» a imagem e proteger a retina.
A íris dilata a pupila, deixando entrar o máximo de luz possível para que a retina consiga formar imagem.
A íris/pupila é o equivalente ao diafragma: regula a abertura conforme a luz disponível.
A dilatação é rápida, mas a plena adaptação ao escuro (com entrada em ação dos bastonetes) demora minutos — por isso o cinema parece muito escuro ao início.
Resultado: A pupila contrai-se na luz e dilata-se no escuro, regulando a entrada de luz tal como o diafragma de uma câmara; a adaptação completa à penumbra é lenta porque depende também da sensibilização dos bastonetes.
Erros frequentes
Revisão ativa
Descreve o percurso de um raio de luz desde que entra no olho até formar imagem na retina, nomeando cada estrutura que atravessa e a sua função.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Visão (o olho) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Cones e bastonetes: uma comparação
Sensibilidade dos três tipos de cones
Explica por que, ao entrar numa sala muito escura, deixas de distinguir as cores dos objetos mas continuas a perceber as suas formas em tons de cinzento.
Com pouca luz, os cones (que precisam de muita luz) deixam de responder; só os bastonetes, muito sensíveis, permanecem ativos.
Os bastonetes não distinguem cores — respondem apenas à quantidade de luz —, pelo que a cena aparece em tons de cinzento.
As diferenças de claro-escuro (valor) entre os objetos continuam a ser captadas pelos bastonetes, o que preserva a perceção das formas.
Numa cena de penumbra, o essencial é o valor e não a cor — daí representar-se bem quase só com gradações de cinzento.
Resultado: Na escuridão, só os bastonetes trabalham: eles captam o claro-escuro (mantendo a forma) mas não a cor (por isso o cinzento). A cor exige cones e, logo, muita luz — o que faz do valor a informação visual mais robusta.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica, com base nos recetores da retina, por que perdemos a perceção das cores ao anoitecer e por que uma estrela fraca se vê melhor sem olhar diretamente para ela.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Visão (a retina) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Do olho ao córtex visual
Nos ecrãs, três luzes — vermelho, verde e azul — bastam para produzir quase todas as cores. Explica esta possibilidade a partir da fisiologia da visão.
A retina só tem três tipos de cones (S, M, L), sensíveis a zonas diferentes do espetro.
Segundo a teoria tricromática, qualquer cor percebida corresponde a uma dada proporção de estimulação dos três cones.
Se três luzes (R, G, B) conseguirem, ao misturar-se, gerar a mesma proporção de estímulo dos cones que uma cor real, o cérebro vê essa cor.
Não é preciso reproduzir o comprimento de onda exato — basta enganar os três cones com a proporção certa; por isso três primárias chegam.
Resultado: Como só temos três tipos de cones, a cor reduz-se à proporção com que são estimulados; três luzes primárias (R, G, B) bastam para recriar essas proporções e, assim, quase todas as cores — o fundamento fisiológico da síntese aditiva dos ecrãs.
Erros frequentes
Revisão ativa
Explica o aparecimento de uma pós-imagem verde depois de fixar demoradamente uma forma vermelha, recorrendo à teoria dos processos oponentes.
Evocação ativa
Recorda os pontos-chave — depois revela.
Fontes: Aprendizagens Essenciais de Desenho A — Visão (do estímulo à perceção) (Direção-Geral da Educação (DGE))
Referências e fontes
Direção-Geral da Educação (DGE)