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Resumos · Biologia e GeologiaPT · Secundário

Evolução biológica

Estuda-se a explicação científica da diversidade e da mudança dos seres vivos ao longo do tempo. Contrapõem-se o fixismo e o evolucionismo, e as duas grandes teorias evolutivas: o Lamarckismo (uso e desuso; herança dos caracteres adquiridos) e o Darwinismo (seleção natural). Analisam-se os argumentos a favor da evolução e a teoria sintética (neodarwinismo), que integra a genética, culminando na especiação.

4 secções·~12 min de leitura·4 competências·Nível Padrão 2 · Aprofundamento 2

T·101010 / 16
Perfil de exame
Distinguir fixismo e evolucionismo e as teorias de Lamarck e de DarwinExplicar o mecanismo da seleção naturalInterpretar os argumentos a favor da evoluçãoCaracterizar o neodarwinismo e a especiação
Operadores:distingueexplicainterpretacompararelacionajustifica

nível básico

Reconhecer a seleção natural e os argumentos da evolução.

nível avançado

Comparar rigorosamente Lamarckismo e Darwinismo e explicar a especiação no quadro do neodarwinismo.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 4 secções▾
  1. Evolução biológica
    • 01Fixismo e Lamarckismo◐
    • 02Darwinismo — seleção natural●
    • 03Argumentos a favor da evolução◐
    • 04Neodarwinismo e especiação●
§ 01

Fixismo e Lamarckismo#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-11-evolucao

Pontos-chave

Durante séculos dominou o «fixismo» — a ideia de que as espécies são imutáveis, criadas tal como são e sem parentesco entre si. À medida que se acumularam fósseis de seres desaparecidos e semelhanças entre espécies, o fixismo tornou-se insustentável e deu lugar ao «evolucionismo»: as espécies atuais descendem, com modificação, de espécies ancestrais, e transformam-se ao longo do tempo.
A primeira teoria evolutiva coerente foi a de «Jean-Baptiste Lamarck» (1809). Assenta em duas ideias. A «lei do uso e desuso»: os órgãos muito utilizados desenvolvem-se, os que não se usam atrofiam. E a «herança dos caracteres adquiridos»: as modificações que um ser adquire durante a vida seriam transmitidas aos descendentes (ver Fig. 1).

A explicação de Lamarck (girafa)

LamarckismoGrafo, Necessidade (folhas altas) → Uso do pescoço, Uso do pescoço → Alongamento do pescoço, Alongamento do pescoço → Herança do caráter adquirido, Herança do caráter adquirido → Descendentes de pescoço mais longoNecessidade(folhas altas)Uso do pescoçoAlongamento dopescoçoHerança docaráteradquiridoDescendentes depescoço maislongo
Fig. 1Fig. 1 — O raciocínio de Lamarck: a necessidade e o uso alongariam o pescoço, que seria herdado.
No exemplo clássico da girafa, Lamarck explicaria assim o pescoço longo: os ancestrais, ao esforçarem-se por alcançar folhas altas, iam «alongando» o pescoço pelo uso, e transmitiam esse pescoço mais comprido à descendência, geração após geração. A variação surgiria, portanto, «por necessidade» e seria «dirigida» e hereditária.
O Lamarckismo tem, porém, uma falha decisiva: os «caracteres adquiridos não são hereditários». As modificações do corpo durante a vida (musculatura, cicatrizes) não alteram a informação genética das células reprodutoras, pelo que não passam à descendência — como demonstraram experiências posteriores. A ideia de que a necessidade dirige a variação está, hoje, refutada.
Ainda assim, Lamarck teve o mérito histórico de ser o primeiro a propor uma explicação natural e mecanicista para a evolução, rompendo com o fixismo. É importante reconhecer o seu contributo, mas também saber por que a sua explicação foi ultrapassada.
Exemplo resolvido

A girafa segundo Lamarck

Explica como Lamarck justificaria o pescoço longo da girafa e por que a explicação está refutada.

  1. 01Uso e desuso

    Os ancestrais esticavam o pescoço para alcançar folhas altas, o que o iria alongando pelo uso.

  2. 02Herança dos adquiridos

    Esse pescoço alongado seria transmitido à descendência, tornando-se cada vez mais longo ao longo das gerações.

  3. 03Refutação

    Os caracteres adquiridos durante a vida não alteram os genes das células reprodutoras, pelo que não são hereditários.

Resultado: Para Lamarck, o uso alongava o pescoço e o caráter era herdado; a explicação está refutada porque os caracteres adquiridos não são hereditários.

Foco no Exame Nacional

  • Enunciar as duas ideias do Lamarckismo (uso e desuso; herança dos caracteres adquiridos).
  • Identificar a falha do Lamarckismo (os caracteres adquiridos não são hereditários).

Erros frequentes

  • Considerar o Lamarckismo totalmente errado e sem mérito — foi a primeira teoria evolutiva coerente.
  • Apresentar a variação como dirigida «pela necessidade» e depois atribuí-la a Darwin — essa ideia é de Lamarck.

Revisão ativa

Explica como Lamarck justificaria o pescoço longo da girafa e indica por que essa explicação está hoje refutada.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

Darwinismo — seleção natural#

●●●AprofundamentoLPAE-biologia-e-geologia-11-evolucao

Pontos-chave

Em 1859, «Charles Darwin» (com contributo independente de «Alfred Russel Wallace») propôs a «seleção natural» como mecanismo da evolução. O raciocínio parte de factos observáveis: numa população existe «variabilidade» (os indivíduos diferem entre si); nascem «mais descendentes» do que os que o meio pode sustentar (sobreprodução); e os recursos são limitados, gerando «luta pela existência» (ver Fig. 3).

A seleção natural (girafa)

Seleção naturalGrafo, Variabilidade no pescoço (ao acaso) → Ambiente: folhas altas, competição, Ambiente: folhas altas, competição → Sobrevivência dos de pescoço mais longo, Sobrevivência dos de pescoço mais longo → Maior reprodução (mais aptos), Maior reprodução (mais aptos) → Pescoço longo predomina (gerações)Variabilidade nopescoço (aoacaso)Ambiente: folhasaltas,competiçãoSobrevivênciados de pescoçomais longoMaior reprodução(mais aptos)Pescoço longopredomina(gerações)
Fig. 3Fig. 3 — Seleção natural: o ambiente favorece as variantes preexistentes mais aptas.
Perante essa competição, os indivíduos com «variações vantajosas» para aquele ambiente têm maior probabilidade de sobreviver e de se reproduzir — é a «sobrevivência do mais apto». Como parte dessas variações é hereditária, os descendentes herdam as características vantajosas, que assim se «acumulam» na população ao longo das gerações. O ambiente «seleciona», mas «não cria» a variação.
No exemplo da girafa, a explicação darwinista é diferente da de Lamarck: já «existia variabilidade» no comprimento do pescoço (ao acaso); em ambiente de folhas altas, os indivíduos de pescoço mais longo alimentavam-se melhor, sobreviviam e deixavam mais descendentes; ao longo de muitas gerações, o pescoço longo tornou-se predominante. A variação «preexiste» e é «não dirigida»; o meio limita-se a favorecer as variantes mais aptas.
É esta a diferença essencial entre as duas teorias, e o erro mais penalizado no Exame (ver Fig. 2): em «Lamarck», a variação surge por necessidade, é dirigida e o carácter adquirido é herdado; em «Darwin», a variação preexiste ao acaso e o ambiente seleciona-a. Nunca se deve atribuir a Darwin o «uso e desuso» nem a «herança dos caracteres adquiridos».

Lamarckismo vs Darwinismo

Duas teoriasTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Aspeto · Lamarckismo · Darwinismo; Origem da variação · Por necessidade/uso (dirigida) · Ao acaso, preexiste (não dirigida); Papel do ambiente · Provoca a variação · Seleciona as variações existentes; Herança · Dos caracteres adquiridos · Das variações vantajosas hereditárias; Mecanismo · Uso e desuso · Seleção naturalASPETOLAMARCKISMODARWINISMOOrigem da variaçãoPor necessidade/uso(dirigida)Ao acaso, preexiste (nãodirigida)Papel do ambienteProvoca a variaçãoSeleciona as variaçõesexistentesHerançaDos caracteres adquiridosDas variações vantajosashereditáriasMecanismoUso e desusoSeleção naturalLamarck vs Darwin
Fig. 2Fig. 2 — As diferenças essenciais entre Lamarckismo e Darwinismo.
A Darwin faltava explicar «como» surgia e se transmitia a variação — não conhecia a genética. Essa lacuna só seria preenchida no século XX, com a integração da genética mendeliana (o neodarwinismo). Ainda assim, a seleção natural continua a ser o mecanismo central da evolução.
Exemplo resolvido

A girafa segundo Darwin

Explica, segundo o Darwinismo, como o pescoço longo se tornou predominante nas girafas, contrastando com Lamarck.

  1. 01Variabilidade preexistente

    Na população havia girafas com pescoços de comprimentos diferentes, por variação ao acaso.

  2. 02Seleção pelo ambiente

    Onde o alimento estava em altura, as de pescoço mais longo alimentavam-se melhor, sobreviviam e reproduziam-se mais.

  3. 03Acumulação e contraste

    Ao longo das gerações, o pescoço longo (hereditário) tornou-se predominante. Ao contrário de Lamarck, a variação não foi criada pela necessidade, apenas selecionada.

Resultado: A variabilidade preexistia ao acaso e o ambiente selecionou as girafas de pescoço mais longo; nem o uso alongou o pescoço nem foi herdado um caráter adquirido.

Foco no Exame Nacional

  • Explicar o mecanismo da seleção natural (variabilidade, sobreprodução, luta pela existência, reprodução diferencial).
  • Comparar as explicações de Lamarck e de Darwin para um mesmo caso (ex.: a girafa).

Erros frequentes

  • Atribuir a Darwin o «uso e desuso» ou a «herança dos caracteres adquiridos» — são ideias de Lamarck.
  • Dizer que o ambiente «cria» as variações vantajosas — o ambiente seleciona variações que já existem ao acaso.

Revisão ativa

Explica, segundo o Darwinismo, como o pescoço longo se tornou predominante na população de girafas, contrastando com a explicação de Lamarck.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

Argumentos a favor da evolução#

●●○PadrãoLPAE-biologia-e-geologia-11-evolucao

Pontos-chave

A evolução é hoje sustentada por «argumentos» (provas) de várias áreas, que convergem para a mesma conclusão (ver Fig. 4). Os argumentos «paleontológicos» baseiam-se nos «fósseis»: mostram que existiram seres diferentes dos atuais e revelam «formas de transição» entre grupos (por exemplo, o Archaeopteryx, com características de réptil e de ave), documentando a mudança ao longo do tempo.

Argumentos a favor da evolução

Provas da evoluçãoTabela com 3 colunas e 5 linhas, Dados: Argumento · Baseia-se em · Exemplo; Paleontológico · Fósseis e formas de transição · Archaeopteryx (réptil-ave); Anatómico · Órgãos homólogos/análogos/vestigiais · Membro anterior dos vertebrados; Embriológico · Semelhança dos embriões · Embriões de vertebrados; Bioquímico/molecular · Universalidade do DNA e do código · Semelhança de proteínas/DNA; Biogeográfico · Distribuição das espécies · Espécies próprias de ilhasARGUMENTOBASEIA-SE EMEXEMPLOPaleontológicoFósseis e formas detransiçãoArchaeopteryx (réptil-ave)AnatómicoÓrgãos homólogos/análogos/vestigiaisMembro anterior dosvertebradosEmbriológicoSemelhança dos embriõesEmbriões de vertebradosBioquímico/molecularUniversalidade do DNA e docódigoSemelhança de proteínas/DNABiogeográficoDistribuição das espéciesEspécies próprias de ilhasArgumentos da evolução
Fig. 4Fig. 4 — Os argumentos a favor da evolução convergem para a mesma conclusão.
Os argumentos «anatómicos» comparam a estrutura dos seres. Os «órgãos homólogos» têm a «mesma origem» embrionária e estrutural mas «funções diferentes» (como o membro anterior dos vertebrados — braço humano, asa de morcego, barbatana de baleia): revelam um «ancestral comum» e resultam de «evolução divergente». Os «órgãos análogos» têm «origem diferente» mas «função semelhante» (como a asa da ave e a do inseto): resultam de «evolução convergente» e não indicam parentesco próximo (ver Fig. 5). Há ainda os «órgãos vestigiais» (como o apêndice), sem função aparente, restos de estruturas ancestrais.

Órgãos homólogos vs análogos

Anatomia comparadaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Característica · Órgãos homólogos · Órgãos análogos; Origem · Mesma (ancestral comum) · Diferente; Função · Diferente · Semelhante; Evolução · Divergente · Convergente; Exemplo · Braço humano / asa de morcego · Asa de ave / asa de insetoCARACTERÍSTICAÓRGÃOS HOMÓLOGOSÓRGÃOS ANÁLOGOSOrigemMesma (ancestral comum)DiferenteFunçãoDiferenteSemelhanteEvoluçãoDivergenteConvergenteExemploBraço humano /asa de morcegoAsa de ave / asa de insetoHomólogos vs análogos
Fig. 5Fig. 5 — Homólogos (evolução divergente) e análogos (evolução convergente).
Os argumentos «embriológicos» assinalam semelhanças no desenvolvimento embrionário de espécies diferentes (por exemplo, os embriões de vertebrados são muito parecidos nas fases iniciais), sugerindo origem comum. Os argumentos «citológicos» apontam a organização celular partilhada por todos os seres.
Os argumentos «bioquímicos/moleculares» são dos mais fortes: a «universalidade» do código genético e do DNA/RNA em todos os seres vivos, e o grau de semelhança de proteínas e sequências de DNA entre espécies, que é tanto maior quanto mais próximo o parentesco — permitindo, inclusive, construir árvores filogenéticas. Os argumentos «biogeográficos» explicam a distribuição das espécies pela sua história evolutiva e pela separação dos continentes (por exemplo, as espécies próprias de ilhas).
A força da teoria da evolução está justamente nesta «convergência de provas independentes»: paleontologia, anatomia, embriologia, bioquímica e biogeografia apontam todas para a descendência com modificação a partir de ancestrais comuns.
Exemplo resolvido

Homólogos ou análogos?

Classifica: (a) o braço humano e a asa do morcego; (b) a asa da ave e a asa do inseto. Justifica e indica o tipo de evolução.

  1. 01Caso (a)

    Braço e asa de morcego têm a mesma origem e estrutura óssea (mesmo plano), mas funções diferentes — são homólogos.

  2. 02Caso (b)

    A asa da ave e a do inseto têm origens e estruturas muito diferentes, mas a mesma função (voar) — são análogos.

  3. 03Tipo de evolução

    (a) evolução divergente (a partir de ancestral comum); (b) evolução convergente (adaptação semelhante em linhagens distintas).

Resultado: (a) homólogos — evolução divergente; (b) análogos — evolução convergente.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e exemplificar os diferentes tipos de argumentos a favor da evolução.
  • Distinguir órgãos homólogos (evolução divergente) e análogos (evolução convergente).

Erros frequentes

  • Trocar homólogos e análogos: homólogos = mesma origem/funções diferentes (divergente); análogos = origem diferente/função igual (convergente).
  • Considerar os órgãos análogos prova de parentesco próximo — resultam de convergência, não de ancestral comum recente.

Revisão ativa

Classifica como homólogos ou análogos: (a) o braço humano e a asa do morcego; (b) a asa da ave e a asa do inseto. Justifica e indica o tipo de evolução.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

Neodarwinismo e especiação#

●●●AprofundamentoLPAE-biologia-e-geologia-11-evolucao

Pontos-chave

O «neodarwinismo» (ou «teoria sintética da evolução») integra a seleção natural de Darwin com a «genética», preenchendo a lacuna que Darwin deixara. A sua ideia central é que a «unidade de evolução» não é o indivíduo, mas a «população» — mais precisamente, o seu «fundo genético» (pool génico), o conjunto de todos os alelos dos seus indivíduos. Evoluir é alterar as «frequências dos alelos» da população ao longo das gerações (ver Fig. 6).

Neodarwinismo — fontes de variação e fatores de evolução

NeodarwinismoGrafo, Mutação → Variabilidade genética (pool génico), Recombinação → Variabilidade genética (pool génico), Variabilidade genética (pool génico) → Seleção natural, Variabilidade genética (pool génico) → Deriva genética, Variabilidade genética (pool génico) → Migração, Seleção natural → Evolução da população, Deriva genética → Evolução da população, Migração → Evolução da populaçãoMutaçãoRecombinaçãoVariabilidadegenética (poolgénico)Seleção naturalDeriva genéticaMigraçãoEvolução dapopulação
Fig. 6Fig. 6 — Neodarwinismo: a variabilidade (mutação + recombinação) e os fatores de evolução alteram o fundo genético.
A «variabilidade genética», matéria-prima da evolução, tem duas origens: a «mutação» (alteração ao acaso da informação genética, a fonte primária de novos alelos) e a «recombinação genética» (crossing-over, distribuição independente e fecundação, que criam novas combinações). Sobre esta variabilidade atuam os «fatores de evolução».
Os principais fatores que alteram as frequências alélicas são: a «seleção natural» (favorece os alelos vantajosos); a «deriva genética» (variação aleatória das frequências, importante em populações pequenas, onde o acaso pode fixar ou eliminar alelos); a «migração» (fluxo de genes entre populações, que as aproxima geneticamente); e a própria «mutação». Só a seleção natural é «orientada» (adaptativa); a deriva é aleatória.
Quando o fluxo de genes entre populações é interrompido, elas divergem e pode surgir uma «nova espécie» — é a «especiação», que requer «isolamento reprodutivo» (as populações deixam de se cruzar e de ter descendência fértil). Na «especiação alopátrica», o isolamento inicial é «geográfico» (uma barreira separa as populações, que evoluem separadamente); na «especiação simpátrica», surge sem separação geográfica (por outros mecanismos de isolamento reprodutivo) (ver Fig. 7).

Especiação alopátrica vs simpátrica

EspeciaçãoTabela com 3 colunas e 2 linhas, Dados: Especiação · Isolamento inicial · Resultado; Alopátrica · Geográfico (barreira física) · Populações separadas divergem; Simpátrica · Sem separação geográfica · Isolamento reprodutivo na mesma áreaESPECIAÇÃOISOLAMENTO INICIALRESULTADOAlopátricaGeográfico (barreira física)Populações separadasdivergemSimpátricaSem separação geográficaIsolamento reprodutivo namesma áreaTipos de especiação
Fig. 7Fig. 7 — Dois modos de especiação, conforme o isolamento inicial.
O neodarwinismo é o quadro atual da biologia evolutiva. Compreender que a evolução opera sobre «populações» (e não indivíduos), distinguir as fontes de variabilidade dos fatores de evolução, e caracterizar a especiação, são objetivos frequentemente avaliados de forma integrada.
Exemplo resolvido

Especiação por barreira geográfica

Uma população fica dividida por um novo rio; ao fim de muito tempo, os dois grupos já não se cruzam nem geram descendência fértil. Classifica a especiação e explica o papel do isolamento reprodutivo.

  1. 01Identificar o isolamento inicial

    A separação começou por uma barreira geográfica (o rio) — trata-se de especiação alopátrica.

  2. 02Divergência

    Sem fluxo de genes, cada população acumula mutações e sofre seleção e deriva próprias, divergindo geneticamente.

  3. 03Papel do isolamento reprodutivo

    Quando as diferenças impedem o cruzamento com descendência fértil, o isolamento reprodutivo está completo — são duas espécies distintas.

Resultado: É especiação alopátrica: a barreira geográfica isolou as populações, que divergiram até ao isolamento reprodutivo, definindo novas espécies.

Foco no Exame Nacional

  • Distinguir as fontes de variabilidade (mutação e recombinação) dos fatores de evolução (seleção, deriva, migração).
  • Explicar a especiação e distinguir a especiação alopátrica e simpátrica.

Erros frequentes

  • Considerar o indivíduo (e não a população) a unidade de evolução — a evolução altera o fundo genético da população.
  • Confundir a deriva genética (aleatória) com a seleção natural (orientada/adaptativa).

Revisão ativa

Uma barreira geográfica separa uma população em duas, que evoluem até deixarem de se cruzar. Classifica o tipo de especiação e explica o papel do isolamento reprodutivo.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 11.º ano (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 04

    • 01Fixismo e Lamarckismo◐
    • 02Darwinismo — seleção natural●
    • 03Argumentos a favor da evolução◐
    • 04Neodarwinismo e especiação●

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Evolução biológica

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  • Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia — 11.º ano

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