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Resumos · Geografia APT · Secundário

A população: evolução e diferenças regionais

Este tema estuda a dinâmica da população portuguesa: os indicadores que a medem (taxas de natalidade, mortalidade e fecundidade, crescimento natural e efetivo, saldos natural e migratório), a evolução ao longo do tempo à luz da transição demográfica, a estrutura etária lida em pirâmides, o envelhecimento e os seus índices, e os fatores e políticas que condicionam os comportamentos demográficos.

5 secções·~15 min de leitura·4 competências·Nível Padrão 4 · Aprofundamento 1

T·0222 / 13
Perfil de exame
Calcular e interpretar os principais indicadores demográficosExplicar a evolução da população pela transição demográficaLer e comparar pirâmides etárias e caracterizar o envelhecimentoRelacionar comportamentos demográficos com os seus fatores e políticas
Operadores:calculainterpretaexplicacompararelacionajustifica

nível básico

Calcular as taxas de natalidade e mortalidade e o crescimento natural e ler uma pirâmide etária.

nível avançado

Relacionar crescimento natural e efetivo, interpretar a transição demográfica e discutir o envelhecimento e as políticas demográficas.

Profundidade

Profundidade de leitura: Aprofundado

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Conteúdo · 5 secções▾
  1. A população: evolução e diferenças regionais
    • 01Os indicadores demográficos◐
    • 02A evolução da população e a transição demográfica◐
    • 03A estrutura etária e as pirâmides◐
    • 04O envelhecimento e os seus índices●
    • 05Fatores dos comportamentos demográficos e políticas◐
§ 01

Os indicadores demográficos#

●●○PadrãoLPAE-geografia-a-populacao-evolucao

Pontos-chave

Para estudar uma população com rigor, a Demografia usa indicadores — medidas que resumem os seus comportamentos e permitem comparar regiões e anos. Os mais importantes exprimem-se em permilagem (‰, por mil habitantes), para serem comparáveis entre populações de dimensão diferente (ver Fig. 1). Calculá-los e interpretá-los corretamente é uma competência central e muito avaliada.

Os principais indicadores demográficos

Indicadores demográficosTabela com 3 colunas e 6 linhas, Dados: Indicador · Cálculo / definição · O que mede; Taxa bruta de natalidade · (nados-vivos / pop.) × 1000 · Nascimentos por mil habitantes; Taxa bruta de mortalidade · (óbitos / pop.) × 1000 · Mortes por mil habitantes; Crescimento natural · TBN − TBM · Saldo entre nascimentos e mortes; Saldo migratório · entradas − saídas · Efeito das migrações; Crescimento efetivo · cresc. natural + cresc. migratório · Variação real da população; ISF · n.º médio de filhos por mulher · Renovação das gerações (≈ 2,1 para substituir)INDICADORCÁLCULO / DEFINIÇÃOO QUE MEDETaxa bruta de natalidade(nados-vivos / pop.) × 1000Nascimentos por milhabitantesTaxa bruta de mortalidade(óbitos / pop.) × 1000Mortes por mil habitantesCrescimento naturalTBN − TBMSaldo entre nascimentos emortesSaldo migratórioentradas − saídasEfeito das migraçõesCrescimento efetivocresc. natural + cresc.migratórioVariação real da populaçãoISFn.º médio de filhos pormulherRenovação das gerações (≈2,1 para substituir)Indicadores e significado
Fig. 1Fig. 1 — Os indicadores demográficos e o que medem: das taxas brutas ao crescimento efetivo, que integra o saldo migratório.
A taxa bruta de natalidade (TBN) é o número de nados-vivos por cada mil habitantes num ano: TBN = (nados-vivos / população) × 1000. A taxa bruta de mortalidade (TBM) é o número de óbitos por mil habitantes: TBM = (óbitos / população) × 1000. Da diferença entre ambas resulta o crescimento (ou saldo) natural: a taxa de crescimento natural (TCN) = TBN − TBM. Um crescimento natural positivo significa que nascem mais pessoas do que morrem; negativo, o contrário.
A população, porém, não muda apenas por nascimentos e mortes: muda também por migrações. O saldo migratório é a diferença entre as entradas (imigrantes) e as saídas (emigrantes). Somando o crescimento natural ao crescimento migratório obtém-se o crescimento efetivo (ou real) da população: é este que diz, afinal, se a população aumentou ou diminuiu. Confundir crescimento natural com crescimento efetivo é um erro grave — um país pode ter crescimento natural negativo mas crescer por imigração, ou o inverso.
Outros indicadores completam o retrato. A taxa de mortalidade infantil (óbitos de menores de 1 ano por mil nados-vivos) é um sensível indicador de desenvolvimento. A taxa de fecundidade e, sobretudo, o índice sintético de fecundidade (ISF) — número médio de filhos por mulher em idade fértil — medem a renovação das gerações: são necessários cerca de 2,1 filhos por mulher para garantir a substituição das gerações, valor há muito não atingido em Portugal.
TBN=nados-vivospopulac¸a˜o total×1000\text{TBN} = \dfrac{\text{nados-vivos}}{\text{população total}} \times 1000TBN=populac¸​a˜o totalnados-vivos​×1000

Taxa bruta de natalidade (‰)

Nados-vivos por cada mil habitantes num ano.

TBM=oˊbitospopulac¸a˜o total×1000\text{TBM} = \dfrac{\text{óbitos}}{\text{população total}} \times 1000TBM=populac¸​a˜o totaloˊbitos​×1000

Taxa bruta de mortalidade (‰)

Óbitos por cada mil habitantes num ano.

Crescimento natural=TBN−TBM\text{Crescimento natural} = \text{TBN} - \text{TBM}Crescimento natural=TBN−TBM

Taxa de crescimento natural

Diferença entre a natalidade e a mortalidade; somando o saldo migratório obtém-se o crescimento efetivo.

Exemplo resolvido

Calcular taxas e crescimento natural

Numa população de 200 000 habitantes registaram-se, num ano, 1 600 nascimentos e 2 000 óbitos. Calcula a TBN, a TBM e o crescimento natural e comenta.

  1. 01TBN

    TBN = (1 600 / 200 000) × 1000 = 8 ‰.

  2. 02TBM

    TBM = (2 000 / 200 000) × 1000 = 10 ‰.

  3. 03Crescimento natural

    TCN = TBN − TBM = 8 − 10 = −2 ‰.

  4. 04Comentário

    O crescimento natural é negativo: morrem mais pessoas do que nascem. Só um saldo migratório positivo superior a 2 ‰ permitiria um crescimento efetivo positivo.

Resultado: TBN = 8 ‰; TBM = 10 ‰; crescimento natural = −2 ‰ (negativo).

Foco no Exame Nacional

  • Calcular a TBN, a TBM e o crescimento natural a partir de dados fornecidos.
  • Distinguir crescimento natural de crescimento efetivo (integrando o saldo migratório).

Erros frequentes

  • Confundir crescimento natural (só nascimentos e mortes) com crescimento efetivo (que inclui as migrações).
  • Apresentar as taxas como números absolutos em vez de valores por mil habitantes (‰).

Revisão ativa

Numa população de 200 000 habitantes registaram-se, num ano, 1 600 nascimentos e 2 000 óbitos. Calcula a TBN, a TBM e o crescimento natural.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia A — 10.º ano (A população) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 02

A evolução da população e a transição demográfica#

●●○PadrãoLPAE-geografia-a-populacao-evolucao

Pontos-chave

A teoria da transição demográfica descreve a passagem de um regime demográfico tradicional (natalidade e mortalidade altas) para um regime moderno (natalidade e mortalidade baixas), em fases sucessivas (ver Fig. 2). Explica a evolução da população dos países desenvolvidos ao longo dos últimos dois séculos e é o modelo com que se lê a evolução demográfica portuguesa.

As fases da transição demográfica

Transição demográficaGrafo, Fase 1 — pré-transicional (natalidade e mortalidade altas) → Fase 2 — arranque (mortalidade desce), Fase 2 — arranque (mortalidade desce) → Fase 3 — transição (natalidade desce), Fase 3 — transição (natalidade desce) → Fase 4 — pós-transicional (ambas baixas)Fase 1 — pré-transicional(natalidade e m…Fase 2 —arranque(mortalidade de…Fase 3 —transição(natalidade des…Fase 4 — pós-transicional(ambas baixas)desce amortalidade →…desce anatalidade → …crescimentonatural quase…
Fig. 2Fig. 2 — A transição demográfica: primeiro desce a mortalidade (fase 2), depois a natalidade (fase 3), até ambas ficarem baixas (fase 4).
Na fase pré-transicional (fase 1), a natalidade e a mortalidade são ambas elevadas e próximas, com fortes oscilações (fomes, epidemias, guerras); o crescimento natural é lento. Na fase 2 (arranque/expansão), a mortalidade começa a descer rapidamente — graças a melhorias na alimentação, na higiene e na medicina — enquanto a natalidade se mantém alta: o fosso entre ambas gera um forte crescimento natural (a «explosão demográfica»).
Na fase 3 (transição), é a natalidade que desce, por mudanças sociais e económicas (urbanização, trabalho feminino, planeamento familiar, custo dos filhos); a mortalidade continua baixa. O crescimento natural, ainda positivo, começa a abrandar. Na fase 4 (pós-transicional), a natalidade e a mortalidade são ambas baixas e próximas: o crescimento natural é quase nulo e pode tornar-se negativo — situação em que Portugal e grande parte da Europa se encontram hoje.
Portugal percorreu esta transição de forma comprimida e tardia relativamente ao noroeste europeu: a descida da mortalidade acentuou-se no século XX, e a queda acentuada da natalidade ocorreu sobretudo a partir das décadas de 1960–1980. Atualmente, com natalidade muito baixa e mortalidade a subir por efeito do envelhecimento, o crescimento natural é negativo. Alguns autores falam já de uma quinta fase, de declínio, para descrever esta situação.
Exemplo resolvido

Ler uma fase da transição

Numa dada fase, a mortalidade já desceu para valores baixos mas a natalidade permanece elevada. Identifica a fase e explica o efeito na população.

  1. 01Identificação

    Mortalidade baixa com natalidade ainda alta corresponde à fase 2 (arranque/expansão).

  2. 02Efeito

    O grande fosso entre uma natalidade alta e uma mortalidade em queda gera um crescimento natural muito elevado — a chamada explosão demográfica.

  3. 03Causas da descida da mortalidade

    Melhorias na alimentação, na higiene, no saneamento e nos cuidados médicos.

Resultado: É a fase 2: mortalidade baixa e natalidade alta produzem forte crescimento natural (explosão demográfica).

Foco no Exame Nacional

  • Descrever as fases da transição demográfica e o comportamento das taxas em cada uma.
  • Enquadrar a evolução da população portuguesa no modelo de transição demográfica.

Erros frequentes

  • Trocar a ordem das descidas (na fase 2 desce primeiro a mortalidade; só na fase 3 desce a natalidade).
  • Confundir descida da natalidade com descida da população (com mortalidade baixa, a população ainda pode crescer).

Revisão ativa

Explica por que razão, na fase 2 da transição demográfica, se regista um forte crescimento natural.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia A — 10.º ano (A população) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 03

A estrutura etária e as pirâmides#

●●○PadrãoLPAE-geografia-a-populacao-evolucao

Pontos-chave

A estrutura etária descreve a composição da população por grandes grupos de idade — jovens (0–14 anos), adultos em idade ativa (15–64) e idosos (65 e mais anos) — e por sexo. Representa-se numa pirâmide etária, um duplo gráfico de barras horizontais em que cada barra é um grupo etário, com os homens à esquerda e as mulheres à direita (ver Fig. 3). A forma da pirâmide é um retrato imediato da dinâmica demográfica.

Duas estruturas etárias (valores ilustrativos, % da população)

Perfil jovem vs envelhecidofigura de vários painéis, 2 painéis, Dados: Perfil jovem — pirâmide etária, 8 valores (máximo 18); Perfil envelhecido — pirâmide etária, 8 valores (máximo 28)Perfil jovem vs envelhecido0-1415-2425-6465+5510101515HomensMulheresPerfil jovem0-1415-2425-6465+551010151520202525HomensMulheresPerfil envelhecido
Fig. 3Fig. 3 — Perfil jovem (base larga) vs perfil envelhecido (base estreita, topo largo). A forma reflete a natalidade (base) e a longevidade (topo). Valores ilustrativos.
Uma pirâmide de base larga e topo estreito corresponde a uma população JOVEM, com natalidade alta e muitos jovens (perfil típico das fases iniciais da transição). Uma pirâmide de base estreita e topo largo — melhor descrita como uma «urna» — corresponde a uma população ENVELHECIDA, com natalidade baixa (poucos jovens na base) e muitos idosos no topo. É este o perfil atual de Portugal.
A leitura da pirâmide vai além da forma geral. Entalhes (barras mais curtas) revelam quebras de natalidade ou perdas por guerra/emigração; saliências revelam «baby-booms». A comparação entre os lados masculino e feminino mostra a sobremortalidade masculina (nas idades avançadas, as mulheres são mais numerosas, porque vivem, em média, mais anos). Saber ler estes pormenores é frequentemente pedido no exame a partir de duas pirâmides.
A evolução da pirâmide portuguesa ao longo do tempo traduz o envelhecimento: a base estreitou-se (menos nascimentos) e o topo alargou-se (maior longevidade), transformando a antiga pirâmide de base larga numa urna. Este duplo envelhecimento — na base e no topo — é a característica mais marcante da estrutura etária portuguesa e tem consequências económicas e sociais profundas.
Exemplo resolvido

Comparar duas pirâmides

A pirâmide A tem base larga e topo muito estreito; a pirâmide B tem base estreita e topo largo, com predomínio feminino no topo. Caracteriza cada população.

  1. 01Pirâmide A

    Base larga = muitos jovens = natalidade alta; topo estreito = poucos idosos. É uma população jovem, típica de fases iniciais da transição demográfica.

  2. 02Pirâmide B

    Base estreita = poucos jovens = natalidade baixa; topo largo = muitos idosos = maior longevidade. É uma população envelhecida (perfil de Portugal).

  3. 03Predomínio feminino no topo

    Nas idades avançadas há mais mulheres do que homens, devido à maior esperança de vida feminina (sobremortalidade masculina).

Resultado: A = população jovem (natalidade alta); B = população envelhecida (natalidade baixa e maior longevidade, com predomínio feminino no topo).

Foco no Exame Nacional

  • Ler e comparar pirâmides etárias e associar a forma ao regime demográfico.
  • Interpretar entalhes, saliências e o desequilíbrio entre sexos no topo.

Erros frequentes

  • Confundir os grupos etários ou o lado dos sexos (homens à esquerda, mulheres à direita).
  • Descrever a forma sem a relacionar com a natalidade (base) e a longevidade (topo).

Revisão ativa

Compara uma pirâmide de base larga com uma de base estreita e topo largo, indicando o regime demográfico de cada uma.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia A — 10.º ano (A população) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 04

O envelhecimento e os seus índices#

●●●AprofundamentoLPAE-geografia-a-populacao-evolucao

Pontos-chave

O envelhecimento demográfico é o aumento do peso dos idosos na população, acompanhado pela diminuição do peso dos jovens. Mede-se com índices que relacionam os grandes grupos etários (ver Fig. 4). O mais usado é o índice de envelhecimento: o número de idosos (65+) por cada 100 jovens (0–14). Quando ultrapassa 100, há mais idosos do que jovens — o que sucede em Portugal, onde o índice é hoje bastante superior a 100.

Os índices do envelhecimento

Envelhecimento e dependênciaTabela com 3 colunas e 4 linhas, Dados: Índice · Fórmula · O que mede; Envelhecimento · (65+ / 0-14) × 100 · Idosos por 100 jovens (> 100: mais idosos); Dependência de jovens · (0-14 / 15-64) × 100 · Jovens por 100 ativos; Dependência de idosos · (65+ / 15-64) × 100 · Idosos por 100 ativos; Dependência total · ((0-14)+(65+)) / 15-64 × 100 · Carga total sobre os ativosÍNDICEFÓRMULAO QUE MEDEEnvelhecimento(65+ / 0-14) × 100Idosos por 100 jovens (>100: mais idosos)Dependência de jovens(0-14 / 15-64) × 100Jovens por 100 ativosDependência de idosos(65+ / 15-64) × 100Idosos por 100 ativosDependência total((0-14)+(65+)) / 15-64 × 100Carga total sobre os ativosÍndices do envelhecimento
Fig. 4Fig. 4 — Índices que medem o envelhecimento e a carga sobre a população ativa; o índice de envelhecimento superior a 100 indica mais idosos do que jovens.
O índice de envelhecimento resulta de um duplo movimento: o envelhecimento na base (menos jovens, por causa da baixa natalidade) e o envelhecimento no topo (mais idosos, por causa do aumento da esperança de vida). Não basta, por isso, dizer que «há mais idosos»: é preciso reconhecer que a baixa natalidade é, muitas vezes, o motor principal do envelhecimento relativo.
Outro indicador importante é o índice de dependência total: a razão entre a população não ativa por idade (jovens 0–14 e idosos 65+) e a população em idade ativa (15–64), por cada 100 ativos. Distingue-se a dependência de jovens da dependência de idosos. Este índice mede a «carga» que recai sobre a população ativa, sendo essencial para discutir a sustentabilidade da segurança social e das reformas.
As consequências do envelhecimento são vastas: pressão sobre o sistema de pensões e de saúde, redução da população ativa e do dinamismo económico, necessidade de mão de obra (por vezes suprida pela imigração) e adaptação de serviços e territórios a uma população mais idosa. Compreender e calcular estes índices — e discutir criticamente as suas implicações — é um dos pontos altos deste tema no exame.
Iˊndice de envelhecimento=populac¸a˜o com 65 e mais anospopulac¸a˜o com 0-14 anos×100\text{Índice de envelhecimento} = \dfrac{\text{população com 65 e mais anos}}{\text{população com 0-14 anos}} \times 100Iˊndice de envelhecimento=populac¸​a˜o com 0-14 anospopulac¸​a˜o com 65 e mais anos​×100

Índice de envelhecimento

Número de idosos por cada 100 jovens; acima de 100, há mais idosos do que jovens.

Iˊndice de dependeˆncia total=(0-14)+(65+)populac¸a˜o dos 15-64 anos×100\text{Índice de dependência total} = \dfrac{\text{(0-14)} + \text{(65+)}}{\text{população dos 15-64 anos}} \times 100Iˊndice de dependeˆncia total=populac¸​a˜o dos 15-64 anos(0-14)+(65+)​×100

Índice de dependência total

Peso da população dependente por idade (jovens + idosos) sobre cada 100 pessoas em idade ativa.

Exemplo resolvido

Calcular os índices

Numa população: jovens (0–14) = 90 000; ativos (15–64) = 620 000; idosos (65+) = 180 000. Calcula o índice de envelhecimento e o índice de dependência total e comenta.

  1. 01Índice de envelhecimento

    (180 000 / 90 000) × 100 = 200. Há 200 idosos por cada 100 jovens.

  2. 02Dependência total

    ((90 000 + 180 000) / 620 000) × 100 = (270 000 / 620 000) × 100 ≈ 43,5.

  3. 03Comentário

    Um índice de envelhecimento de 200 revela uma população muito envelhecida (o dobro de idosos face a jovens); a dependência de ≈ 43,5 significa cerca de 44 dependentes por 100 ativos, com pressão sobre pensões e saúde.

Resultado: Índice de envelhecimento = 200; dependência total ≈ 43,5 — população fortemente envelhecida.

Foco no Exame Nacional

  • Calcular o índice de envelhecimento e o índice de dependência a partir de dados.
  • Explicar o duplo envelhecimento (base e topo) e as suas consequências.

Erros frequentes

  • Inverter o índice de envelhecimento (é idosos por 100 jovens, não o contrário).
  • Atribuir o envelhecimento apenas ao aumento dos idosos, esquecendo a quebra da natalidade.

Revisão ativa

Numa população há 90 000 jovens (0–14), 620 000 ativos (15–64) e 180 000 idosos (65+). Calcula o índice de envelhecimento e o índice de dependência total.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia A — 10.º ano (A população) (Direção-Geral da Educação (DGE))

§ 05

Fatores dos comportamentos demográficos e políticas#

●●○PadrãoLPAE-geografia-a-populacao-evolucao

Pontos-chave

Os comportamentos demográficos — sobretudo a natalidade e a fecundidade — não são fenómenos naturais fixos: resultam de um conjunto de fatores económicos, sociais, culturais e políticos que se reforçam entre si (ver Fig. 5). Compreender estes fatores é indispensável para explicar a baixa natalidade portuguesa e discutir o que se pode fazer para a alterar.

Fatores da baixa natalidade

Fatores da baixa natalidadeGrafo, Fatores económicos (custo dos filhos, precariedade) → Baixa natalidade / ISF abaixo de 2,1, Fatores sociais (trabalho feminino, urbanização) → Baixa natalidade / ISF abaixo de 2,1, Fatores culturais (adiamento, novos valores) → Baixa natalidade / ISF abaixo de 2,1, Baixa natalidade / ISF abaixo de 2,1 → Envelhecimento demográficoFatoreseconómicos(custo dos filh…Fatores sociais(trabalhofeminino, urban…Fatoresculturais(adiamento, nov…Baixa natalidade/ISF abaixo de2,1Envelhecimentodemográficoestreitamentoda base
Fig. 5Fig. 5 — A baixa natalidade é multifatorial: fatores económicos, sociais e culturais convergem para um ISF abaixo do nível de substituição.
Entre os fatores da baixa natalidade contam-se: a entrada generalizada das mulheres no mercado de trabalho e a dificuldade de conciliar trabalho e família; o custo elevado de criar e educar filhos; a instabilidade laboral e a precariedade dos jovens; a difusão do planeamento familiar e dos métodos contracetivos; a urbanização e a mudança de valores (adiamento do casamento e da maternidade, projetos individuais de realização pessoal). O resultado é um ISF muito abaixo do nível de substituição.
As migrações são o outro grande fator da dinâmica populacional. Portugal foi, durante décadas, um país de emigração (que reduziu a população e a envelheceu nas áreas de partida); tornou-se depois também país de imigração, que rejuvenesce a população ativa e atenua o défice natural. O saldo migratório pode, assim, compensar (ou agravar) o crescimento natural negativo — daí a importância de o considerar ao avaliar a evolução da população.
Perante a baixa natalidade e o envelhecimento, os Estados adotam políticas demográficas. As políticas natalistas procuram incentivar os nascimentos (apoios às famílias, licenças de parentalidade, creches, benefícios fiscais, habitação); as políticas de apoio ao envelhecimento ativo e à integração de imigrantes procuram sustentar a população ativa. A eficácia destas políticas é limitada e discutível, o que faz delas um bom tema de resposta argumentativa no exame.
Exemplo resolvido

Explicar a baixa natalidade e uma política

Explica, com três fatores, a baixa natalidade portuguesa e propõe uma medida de política natalista, avaliando a sua eficácia.

  1. 01Fator económico

    O custo elevado de criar filhos e a precariedade laboral dos jovens adiam ou reduzem a decisão de ter filhos.

  2. 02Fator social

    A dificuldade de conciliar o trabalho (em especial das mulheres) com a vida familiar, agravada pela falta de apoios.

  3. 03Fator cultural

    A mudança de valores e o adiamento do casamento e da maternidade em favor de projetos individuais e profissionais.

  4. 04Política e avaliação

    Alargar a rede de creches e as licenças de parentalidade reduz o custo e facilita a conciliação; contudo, a experiência mostra que estas medidas, isoladas, têm efeitos limitados na natalidade.

Resultado: Baixa natalidade explicada por fatores económicos, sociais e culturais; políticas de apoio à família ajudam, mas com eficácia limitada.

Foco no Exame Nacional

  • Identificar e explicar os fatores da baixa natalidade em Portugal.
  • Relacionar as migrações com a dinâmica da população e avaliar políticas demográficas.

Erros frequentes

  • Apontar uma única causa para a baixa natalidade (é um fenómeno multifatorial).
  • Ignorar o papel das migrações ao explicar a evolução da população.

Revisão ativa

Indica três fatores que explicam a baixa natalidade em Portugal e refere uma política demográfica que procure contrariá-la.

Evocação ativa

Recorda os pontos-chave — depois revela.

Fontes: Aprendizagens Essenciais de Geografia A — 10.º ano (A população) (Direção-Geral da Educação (DGE))

Conteúdo

Secção -- / 05

    • 01Os indicadores demográficos◐
    • 02A evolução da população e a transição demográfica◐
    • 03A estrutura etária e as pirâmides◐
    • 04O envelhecimento e os seus índices●
    • 05Fatores dos comportamentos demográficos e políticas◐

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Dos resumos à prática

A população: evolução e diferenças regionais

Consolida este tema com perguntas do banco de perguntas.

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Referências e fontes

Fontes

Direção-Geral da Educação (DGE)

  • Aprendizagens Essenciais de Geografia A — 10.º ano (A população)

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